quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

D5 Temos nosso próprio tempo

Temos nosso próprio tempo, canta Renato Russo.
Temos nosso próprio tempo, diz a inscrição à minha camisa em citação à Legião Urbana.
Temos nosso próprio tempo, me diz Letícia ao nascer pequena, ao precisar de uma temporada no spa de engorda da Perinatal, ao migrar do soro glicosado para fórmula, da fórmula para leite materno, ao perder o peso que os recém-nascidos perdem e começar a recuperar.

Sim, temos nosso próprio tempo.
O tempo dos anjos que chegam é diferente do tempo dos que aqui já estão há décadas e perderam as asas.
Eu espero o seu tempo. Os seus segundos, as suas horas, os seus dias.
Eu espero o tempo que for necessário para você vir para casa.
Eu espero o tempo que for necessário para você engatinhar, dar seus primeiros passos, dizer suas primeiras palavras, mamãe, papai (não necessariamente nessa ordem).
Eu espero o tempo que for necessário para ver você na escola, lendo, escrevendo, somando, usando a fórmula de Bhaskara para calcular equação de segundo grau.
Eu espero o tempo que for necessário para você ler os meus livros, ver os meus filmes, ouvir os meus discos; e que você me apresente a novos livros e filmes e discos.
Eu espero o tempo que for necessário para ver você crescer, se desenvolver e se tornar uma mulher honesta e justa.

Temos nosso próprio tempo.
Eu te espero, meu amor! O tempo que for necessário.
E nem foi tempo perdido.

***

Peso de hoje: 1810g

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